quinta-feira, 5 de maio de 2016

Chefes tóxicos e ironias do destino

A propósito deste artigo sobre as chefes tóxicos lembrei-me de um antigo chefe altamente Tóxico, que me disse por várias vezes "não há nada como um mau começo!"... Realmente, tenho que concordar, não há nada como um pontapé na canela quando nos tentamos levantar, porque seguramente utilizaremos toda a nossa força e energia para a segunda volta. Foi o que fiz estes anos todos, com chefias que obrigariam ao uso de máscaras de gás, semelhantes às da 1ª Guerra Mundial, transportadas em bornais verde tropa que tantas vezes usei como mala...
Contudo, depois de muitos pontapés nas canelas pergunto-me: Será que isto tudo não passa de um mau começo?! Quando é que um começo deixa de o ser? 15 anos de eternos recomeços precários podem ser um só começo?
Ironicamente, num tempo em que o futuro teima em não vir, as chefias tóxicas são o menor dos males e até lhes encontramos sentido, porque o "não futuro" é pior que o eterno começo...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

There's a starman waiting in the sky...





Goodbye love
Didn't know what time it was the lights were low oh how
I leaned back on my radio oh oh
Some cat was layin' down some rock 'n' roll 'lotta soul, he said
Then the loud sound did seem to fade a ade
Came back like a slow voice on a wave of phase ha hase
That weren't no D.J. that was hazy cosmic jive

There's a starman waiting in the sky
He'd like to come and meet us
But he thinks he'd blow our minds
There's a starman waiting in the sky
He's told us not to blow it
Cause he knows it's all worthwhile
He told me:
Let the children lose it
Let the children use it
Let all the children boogie

I had to phone someone so I picked on you ho ho
Hey, that's far out so you heard him too! o o
Switch on the TV we may pick him up on channel two
Look out your window I can see his light a ight
If we can sparkle he may land tonight a ight
Don't tell your poppa or he'll get us locked up in fright

There's a starman waiting in the sky
He'd like to come and meet us
But he thinks he'd blow our minds
There's a starman waiting in the sky
He's told us not to blow it
Cause he knows it's all worthwhile
He told me:
Let the children lose it
Let the children use it
Let all the children boogie

Starman waiting in the sky
He'd like to come and meet us
But he thinks he'd blow our minds
There's a starman waiting in the sky
He's told us not to blow it
Cause he knows it's all worthwhile
He told me:
Let the children lose it
Let the children use it
Let all the children boogie

La, la, la, la, la, la, la, la
La, la, la, la, la, la, la, la
La, la, la, la, la, la, la, la
La, la, la, la, la, la, la, la
La, la, la, la, la, la, la, la
La, la, la, la, la, la, la, la
La, la, la, la, la, la, la, la
La, la, la, la, la, la, la, la
La, la, la, la, la, la, la, la
La, la, la, la, la, la, la, la
La, la, la, la, la, la, la, la
La, la, la, la, la, la, la, la

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

The Refugee...

Com isto é preciso repetir, até à exaustão, já que a ignorância é amiga do medo e este é causador de tanta crueldade: Os milhares de REFUGIADOS que chegam à Europa do Sul e do Leste todos os dias NÃO SÃO EMIGRANTES (e que fossem, o nosso "velho continente" bem precisará deles num futuro próximo, mas isso é outro assunto)! 
O que os move não é a procura de uma vida melhor, é principalmente a fuga de uma GUERRA gigantesca. 
O Paquistão, a Turquia, o Líbano, a Jordânia e o Egipto têm recebido a maioria dos refugiados da Síria. Na Europa só a Itália e a Grécia receberam milhares de pessoas durante este ano, que além da Síria chegam também do Iraque e da Líbia, e até agora a (des)União Europeia assobiou para o lado.
Antes de se concentrarem nos baldios do Comboio que atravessa o canal da Mancha, as pessoas atravessaram um continente para chegarem à Normandia, ironicamente o sítio onde ingleses e americanos decidiram salvar a Europa. 
Antes de se concentrarem numa qualquer estação de comboios da Hungria, as pessoas deixaram para trás uma vida, uma casa e uma comunidade destruída, onde os seus antepassados guardaram aquele que foi o berço de uma civilização e que nos deu origem, apesar dos esforços em curso para a fazer desaparecer. 
Antes de embarcarem numa "canoa" rumo ao sul de Espanha, as pessoas deixaram para trás países africanos onde a riqueza natural chegaria e sobraria para todos os seus habitantes terem vidas dignas, mas infelizmente os senhores de guerra que tomaram conta do "poder" não querem partilhas, nem discordâncias de qualquer espécie a demagogia que promovem (copiada da demagogia e fanatismo de uns "amigos" árabes que querem que um mundo à imagem de si próprios).
Em consequência desta Europa de vistas curtas e do "fanatismo" financeiro que vivemos, a xenofobia a alastrar entre gente sem grandes escrúpulos e muito oportunamente a galgar cargos políticos, gela o sangue. Parece que a memória de todo o século XX foi passada com uma borracha, passaram 100 anos da Primeira Guerra Mundial e a Segunda acabou há 70...
Sabemos como nascem e alastram as guerras, está escrito em todas as línguas, não sítio nenhum no mundo onde não se saiba, ainda por cima é fácil de ler e perceber, a capacidade da Humanidade de perpetuar a História existe desde a Pré-História!
O problema não é no quintal de ninguém, é num mundo onde vivemos todos. 
No "quintal europeu" já não há desculpa para vistas curtas e para varrer o lixo para o quintal do vizinho do atlântico. A II Guerra Mundial ditou a criação de uma entidade chamada Nações Unidas (RING A BELL), onde a maioria dos Estados do Mundo se quer fazer representar. 
Por isso é agora ou nunca a oportunidade de sermos realmente Europeus, Cidadãos do Mundo e de realmente aplicarmos no nosso quintal os Princípios UNIVERSAIS dos Direitos Humanos (por muitos e muitos anos).

sexta-feira, 19 de junho de 2015


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Desculpe, pode repetir?

Do início, o meu francês está enferrujado, mas terei ouvido bem? Então um senhor, Luxemburguês, por sinal (lembro que é só um dos países da Europa onde se pagam menos impostos e onde ouvimos um zum zum sobre um esquema bizarro - de tão grande que era - de fuga aos impostos, já de si incrivelmente baixos), de repente vem dizer:

- Desculpem mas acho que passámos das marcas... Não devíamos ter passado das marcas...

Prosseguindo, e que tal clarificar, porque nem todo o comum cidadão europeu percebe esta linguagem subliminar:

- O risco de implosão é grande e se a Grécia de repente abandonar o barco este afunda-se e ficamos (cá no Norte cinzento e frio) sem a possibilidade de reaver o investimento que fizemos a curto prazo...

Já agora, para tratar de corresponder às expectativas da "nata da nata" financeira, que parece que está a começar a ficar em pânico, preferencialmente dito nas entrelinhas miudinhas

- Temos que rever esta coisa dos países do sul crescerem, porque parece que com o petróleo tão baixo durante tanto tempo a trela apertada não funciona tão bem...

Estamos então esclarecidos sobre o que queria dizer o senhor do Luxemburgo!

Finalmente, não estamos ainda totalmente esclarecidos sobre as reais intenções do resto da Europa, nem sobre quem se segue e onde, porque parece que nos faltam Estadistas em todo o lado, convictos, coerentes e concentrados no farol europeu, e não preocupados com os milhões ganhos por uma pequenina percentagem de europeus que, contra a vontade da maioria, teima em enriquecer... Exacto, ESTADISTAS, daqueles que assumem que o Estado precisa de um mínimo para funcionar e para servir os cidadãos de forma socialmente responsável (razão última da sua existência), mas isso parece que agora é tabu para os lados de Bruxelas.

Qualquer semelhança entre a União Europeia e um qualquer país ainda mais a Sul, onde uma elite endinheirada teima em não redistribuir a riqueza de forma justa e ainda em continuar a enriquecer à custa do trabalho quase escravo da maioria da população é pura coincidência, ou não...

Bom, bom, vivemos tempos extraordinários, não há dúvida.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Cenas...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Mas afinal onde anda o Pai Natal?...

Clássica pergunta infantil:
- Mas se o Pai Natal passar por aqui agora, quando é que entrega os presentes aos meninos dos outros países?

Clássica resposta de pais:
- O Pai Natal tem um trenó mágico que chega sempre a horas a todas as casas de todos os meninos.

...
Pergunta mais ou menos encapotada sobre o Pai Natal e a distribuição de prendas Natalícias:
- O sol está agora a pôr-se só aqui ou noutros sítios também vemos o sol a descer?

Resposta sincera:
- O sol põe-se aqui e noutros sítios, já vimos o pôr do sol em vários sítios...

Pergunta com rasteira:
- Mas se o sol se põe aqui a esta hora, os meninos do outro lado do mundo já estão a dormir?

Resposta sincera:
- Na verdade estão a acordar, porque o dia está a nascer...

Pergunta sincera:
- Então como é que o Pai Natal despacha estes países todos até ao sol nascer e chega sempre a horas?

Resposta sincera:
- Talvez que possas perguntar isso quando o vires da próxima vez...

terça-feira, 18 de novembro de 2014

I'm older now

Estava concentrada na minha escrita quando me lembrei que tinha uma nota muito pessoal para enviar a alguém...
Percorri Kms de cérebro para voltar a um tempo de total liberdade de movimentos, pouco dinheiro e vontade de conhecer o mundo. Que maravilha!
E só por isso também esta música não pára de ecoar na minha cabeça...







quinta-feira, 13 de novembro de 2014

quarta-feira, 3 de setembro de 2014


segunda-feira, 25 de agosto de 2014




sexta-feira, 4 de abril de 2014


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Para que nos servem os "Artistas" do Poleiro?

Eu gosto especialmente de um trabalho de actor que é o de interpretar o sub-texto. Isto tem interesse no dia a dia porque ensina a ler as entrelinhas.
Por isso e por outras lições de vida o já clássico "vivemos acima das nossas possibilidades" não cola, acho mesmo que nunca colou. Parece que para as "nossas possibilidades" o Estado é gordo e ineficaz, as pessoas não pagam o suficiente pelos serviços públicos, a maioria dos portugueses usufrui de um Estado que não corresponde à quantidade de impostos que paga para o ter, o mundo exterior é um mundo de iluminados que nos pode obrigar a criar um Estado mais (sur)"realista".
Nas entrelinhas destes ilustres "artistas" ficam os estudos nas gavetas (tão a propósito), que provam que os portugueses não devem pagar mais impostos (saem da gaveta quando é preciso porque dão jeito para fazermos a figura pateta do "Gostem de Nós" se não for pedir muito), outros que mostram onde e como podemos melhorar, outros ainda que mostram o quanto crescemos em algumas áreas, mas isso não lhes interessa mesmo nada. Também ficam as evidências de que nem sempre a "gestão privada" dos serviços é melhor, mas isso vamos ter que demorar muitos anos a corrigir e seguramente não será com estes iluminados, deverá ser com outros...E isso não lhes interessa mesmo nada também! Nas entrelinhas ficam também a dedicação e o esforço de muita gente a trabalhar na administração pública que vê o boicote político aos serviços prestados pelo Estado todos os dias, a toda a hora e sem aviso prévio (para não se poder contrariar...). Coisas que o resto do país infelizmente não vê, mas percebe quando vê morrer gente numa sala de espera de um hospital... E isso parece que lhes interessa ainda menos que nada!
E depois, de uma maneira quase descarada, ficam as ameaças "silenciosas" às almas independentes e pensantes, que de repente entraram neste circo para falar para as paredes porque do outro lado o autismo é tão grande que a capacidade de ouvir foi abolida pela cegueira de fazer (asneira, mas mesmo assim FAZER e com EMPREENDEDORISMO para dar o exemplo)...
Tudo isto é demasiado mau para se repetir um dia, demasiado reles para constar nos anais da história, demasiado ruim para reconhecermos um Governo do nosso Estado. Mesmo assim continuamos a escalar uma montanha de más decisões como se o amanhã não interessasse a ninguém...
Vendem ao desbarato as nossas jóias, os anéis e os dedos, sugam-nos até ao tutano e depois, quando a falta de rumo os leva a lado nenhum e a desembolsar rios do nosso dinheiro sabemos lá para quê, ameaçam-nos com o clássico "Se não for assim temos que arranjar meios alternativos - vulgo PAGAR IMPOSTOS - para compensar esta perda de rendimento"! Eh pá mas quando é que aprendem a fazer o vosso trabalho? QUANDO É QUE APRENDEM A GERIR PARA, COM E PELAS PESSOAS, e não contra elas? É que parece que isso é que é GOVERNAR, dizem entendidos de umas terras longínquas que vivem num futuro distante...
Portanto resta-nos o pedido, gritado por milhares neste país que vocês julgam enganar: PAREM, mas parem já e principalmente poupem-nos dos discursos ameaçadores (que só revelam a vossa real e genuína incompetência). 
E fica a pergunta, a nossa pergunta, que se estende a um grupo pequenino de auto-nomeados "Iluminados": Para que nos servem estes "Artistas" do Poleiro? 
Para NADA, realmente para NADA!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Se o Santana teve "Santanetes", o Crato pode ter "Cratinos"?

Depois do muito que li e ouvi nos últimos dias pus-me a pensar (as pessoas deste país pensam, apesar dos iluminados governantes acharem que não!) nesta absurda realidade do tal "investimento" na Ciência que tantos políticos enchem a boca para dizer e tantos cientistas sabem o que realmente significa.
A Ciência, do meu ponto de vista, é uma chave para o futuro! Como é o Ambiente e a Cultura, mas não digam a ninguém que eles podem ouvir... Isto é verdade aqui, na China, no Camboja ou no Kuwait. Não se tratam de "investimentos" em "Agências para a Ciência" ou em "sistemas científicos", em cargos públicos que degeneram em favores aos políticos da praça, ou em laboratórios dos amigalhaços que ajudaram em qualquer coisa num dia qualquer. A Ciência muda a vida das pessoas todos os dias. Agradecemos ao Aristóteles, ao Platão, ao Arquimedes, ao Copérnico, ao Rosseau, ao Darwin, ao Kant, ao Edison, ao Newton, ao Comte, ao Durkeim, ao Freud, ao Einstein, à Madame Curie, à Hanna Arendt, à Margaret Mead, entre muitos outros, terem pensado, discutido, publicado e criado pérolas que nos pudessem orientar no futuro. Provavelmente a maioria das pessoas contemporâneas da Madame Curie não teria compreendido porque é que o seu trabalho era importante, hoje parece que já sabemos. A História da Ciência não se fez só de grandes nomes, fez-se de tantas e tantas tentativas de muitas pessoas que desapareceram nos anais da História, mas acabaram por contribuir para mudar os nossos dias... Por isso esta visão curta do suposto "despesismo" na Ciência chateia-me todos os dias também... 
Assim e perante umas decisões alarves dos últimos dias, vamos supor que uns Cratinos de um ministério resolvem que afinal não temos dinheiro para mudar a vida das pessoas todos os dias (bem, na verdade há muito que trataram de supor e agir em conformidade...), o que nos resta então? Um dia os Cratinos têm o azar de apanhar uma doença como a malária, porque resolvem sair do cantinho do gabinete e ir conhecer o mundo lá fora, terão de lamentar profundamente os tostões que pouparam com a falta de financiamento a uma equipa de cérebros à procura da vacina. Who Cares? 
Bem mas a saúde é imediata, por isso vamos supor outras coisas menos imediatas. 
Vamos supor que há um sismo em Lisboa, do qual não nos livraremos um dia, e que metade da cidade fica em ruínas. Um dia, talvez mesmo no segundo seguinte ao primeiro abanão, os telefones de uma quantidade infindável de cientistas e investigadores vão tocar - lá longe, quando o roaming permitir - só que os meios para a prevenção não existiram e por isso teremos castelos de areia a ruir e depois os meios para a reconstrução também não existirão. Who Cares? 
Vamos supor que um dia os Cratinos resolvem boicotar o financiamento a uma nova geração de cientistas sociais, alguns dos quais a estudar os efeitos desta disparatada forma de financiarmos ricos no mundo (ei, mas espera, acho que já fizeram isso, protegendo os economistas ultra-liberais que lhes podem servir para alguma coisa...), um dia esta gente vai perceber que se os ricos continuarem a enriquecer a este ritmo isto vai acabar mal e seria melhor que tivessem prestado mais atenção às aulas de História, e que não tivessem acabado com uma classe de psicólogos que lhes pode vir a fazer jeito. Who Cares? 
Vamos supor que um dia os Cratinos resolvem acabar com os empregos precários em Ciência (não se iludam, são Cratinos mas não deixámos de crescer muito com base num sistema de emprego precário de gente muito muito qualificada - que tem as suas vantagens para os melhores dos melhores, porque se põem a andar daqui num abrir e fechar de olhos e nós - país - é que perdemos, e desvantagens para todos os outros porque têm a vida suspensa anos a fio) e deixar sem trabalho um enorme número de investigadores, cientistas, bolseiros, técnicos and so on..., parece que isso acabou de acontecer. Um dia, talvez amanhã, depois ou depois, quando os Cratinos já cá não estiverem escreveremos a História da Ciência com uma faixa negra em três ou quatro anos deste Governo, porque ajudaram a destruir um sistema precário, frágil e sensível, feito por pessoas que dão o que têm e mais ainda, para que a nossa vida melhore todos os dias, em detrimento de ordenados confortáveis e vidas mais organizadas, famílias com filhos, carros grandes e casas boas, a fazer outra coisa qualquer muito bem paga. Who Cares? 
Um dia, talvez um dia, os Cratinos  voltarão a ser pessoas banais e perceberão o que ajudaram a destruir em tão pouco tempo, e nesse dia e em todos os que se seguirem, MERECEM TER AS ORELHAS DE BURRO que já lá estão mas eles não vêem! Who Cares?

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Apesar das distâncias o mundo avança!

A distância é um espaço enorme entre as pessoas. 
Quanto mais aumenta a distância mais pequena nos parece a pessoa de quem nos afastamos. 
Com o tempo aprendi a gerir as distâncias, mas nunca aprendi a aceitá-las. 
Nunca me distancio de livre vontade, mas deixo de fazer esforços quando a distância é de tal forma evidente que se torna o único assunto de conversa.
As relações que mantenho com as pessoas das diferentes latitudes superam todas as distâncias e fazem com que cada encontro nos pareça quotidiano. 
O melhor que guardo de todas as pessoas de quem tenho sempre saudades é o riso fácil com as coisas que sempre partilhámos e isso é traz-me renovada alegria. 
Por isso, e apesar das distâncias, o mundo avança!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O grande Eça disse um dia...

O Que Verdadeiramente Mata PortugalO que verdadeiramente nos mata, o que torna esta conjuntura inquietadora, cheia de angústia, estrelada de luzes negras, quase lutuosa, é a desconfiança. O povo, simples e bom, não confia nos homens que hoje tão espectaculosamente estão meneando a púrpura de ministros; os ministros não confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores não confiam nos seus mandatários, porque lhes bradam em vão: «Sede honrados», e vêem-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposição não confiam uns nos outros e vão para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de ameaça. Esta desconfiança perpétua leva à confusão e à indiferença. O estado de expectativa e de demora cansa os espíritos. Não se pressentem soluções nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discussões aparatosas e sonoras; o país, vendo os mesmos homens pisarem o solo político, os mesmos ameaços de fisco, a mesma gradativa decadência. A política, sem actos, sem factos, sem resultados, é estéril e adormecedora. 

Quando numa crise se protraem as discussões, as análises reflectidas, as lentas cogitações, o povo não tem garantias de melhoramento nem o país esperanças de salvação. Nós não somos impacientes. Sabemos que o nosso estado financeiro não se resolve em bem da pátria no espaço de quarenta horas. Sabemos que um deficit arreigado, inoculado, que é um vício nacional, que foi criado em muitos anos, só em muitos anos será destruído. 

O que nos magoa é ver que só há energia e actividade para aqueles actos que nos vão empobrecer e aniquilar; que só há repouso, moleza, sono beatífico, para aquelas medidas fecundas que podiam vir adoçar a aspereza do caminho. 
Trata-se de votar impostos? Todo o mundo se agita, os governos preparam relatórios longos, eruditos e de aprimorada forma; os seus áulicos afiam a lâmina reluzente da sua argumentação para cortar os obstáculos eriçados: as maiorias dispõem-se em concílios para jurar a uniformidade servil do voto. Trata-se dum projecto de reforma económica, duma despesa a eliminar, dum bom melhoramento a consolidar? Começam as discussões, crescendo em sonoridade e em lentidão, começam as argumentações arrastadas, frouxas, que se estendem por meses, que se prendem a todo o incidente e a toda a sorte de explicação frívola, e duram assim uma eternidade ministerial, imensas e diáfanas. 

O país, que tem visto mil vezes a repetição desta dolorosa comédia, está cansado: o poder anda num certo grupo de homens privilegiados, que investiram aquele sacerdócio e que a ninguém mais cedem as insígnias e o segredo dos oráculos. Repetimos as palavras que há pouco Ricasoli dizia no parlamento italiano: «A pátria está fatigada de discussões estéreis, da fraqueza dos governos, da perpétua mudança de pessoas e de programas novos.» 


Eça de Queirós, in 'Distrito de Évora'

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

R.I.P. Madiba



O melhor da humanidade teima em desaparecer.
O pior teima em ficar...
Já agora e sobre o pior da humanidade aproveitamos a ocasião para dizer JÁ CHEGA! e também que QUEREMOS UM MUNDO MAIS VERDE (literalmente) e não esta bola cinzenta de cimento que infelizmente não pára de crescer!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

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